Conto em Gotas

    
        Dívidas do Passado - 4ª parte


A terceira guerra mundial estava prestes a estourar. Só agora haviam se dado conta de que a imponente casa grande só possuía um banheiro para as nove pessoas. Quando foi construída não tinha banheiros, não era costume da época. Depois de muitos anos e vários donos, alguém deve ter se rendido a essa necessidade e transformado um dos quartos. Sete quartos e um banheiro, como diria o Júnior: ninguém merece!
Depois de apaziguar os ânimos e deixar que todos usassem o banheiro antes dela, Marise perguntou pela sobrinha:
_Está dormindo, mãe.
_Vá acordá-la para jantar. Não adianta dormir de estômago vazio.
Rafaela preferia que a prima continuasse a dormir, só assim tinha a certeza de que nada de estranho aconteceria. Mas diante da insistência da mãe seu recurso foi procurar por seu cúmplice.
_Vem comigo, Maurício? – seu olhar era suplicante e ele não resistiu sorrindo de satisfação.
Igualmente satisfeita ficou a mãe de Rafaela por verem os dois finalmente se entendendo. Nunca tinha visto a filha tratar aquele que imaginava, seria o genro ideal, com tanto carinho.
Amanda estava dormindo do mesmo modo que haviam deixado algum tempo atrás. E assim que Rafaela a chamou ela abriu os olhos junto com um leve sorriso.
_Vem jantar?
_Claro, estou morrendo de fome – pulou da cama e deixou o quarto deixando os dois se entreolhando atônitos.
_O que eu faço? – perguntou Rafaela visivelmente perturbada.
_Nada. Vamos esperar e ver o que acontece – e aproveitando a fragilidade da moça, finalmente pode abraçá-la e oferecer-lhe conforto e amparo.
O jantar foi animado. Todos queriam contar seus planos para o dia seguinte. O que não eram poucos. Apenas Maurício e Rafaela pareciam preocupados demais para abrirem a boca. Mas ninguém percebeu seus olharem fixos em Amanda, que também tecia seus planos aceitando o convite dos garotos para andarem a cavalo, depois que voltasse da cidade com os tios.
Ao deixarem a mesa, Júnior e Adriano voltaram para a sala com suas pretendentes, acompanhados pelos olhos atentos de Marise.
A filha de Leda foi para a varanda acender um cigarro e logo se viu acompanhada de seus dois escudeiros.
_Tudo bem com você? – Rafaela foi logo perguntando, enquanto abanava com as mãos a indesejável fumaça que vinha em sua direção.
_Tudo – soltou outra baforada – essa tarde de sono me fez muito bem. Estava precisando mesmo por meu sono em dia.
E vendo pela primeira vez os dois de mãos dadas, apressou-se em apagar o cigarro em sentenciar:
_Vou tomar um banho e voltar para a cama – piscou o olho para a prima dizendo em seu ouvido:
_Estou gostando de ver! Vai fundo Rafa! – e sumiu porta adentro.
_Será que sou eu, ou ela tá doida?
_Ela vem de um período de grande stress: o acidente, internação, fim de um longo relacionamento. A Drª Leda me contou que o antigo namorado não a deixa em paz. Que a persegue dia e noite. Todos esses fatores podem interferir seriamente no sistema nervoso e estar causando esse comportamento. Uma espécie de fuga da realidade. Vamos dar um tempo para ela. Logo ela se ajusta.
_E se ela não se ajustar? As coisas que ela me disse lá no quarto. Que sente que já conhecia essa casa, aquele quarto-masouléu. Que os estofados da sala de jantar eram azuis, as cortinas de renda. Isso, sem falar no bambuzal e na cachoeira. Afinal o que foi aquilo? Stress?
_Não sei – ele preferiu omitir que às vezes também tinha a mesma impressão de familiaridade. Rafaela demonstrava não acreditar nessas coisas e isso podia servir para afastá-la. Não faria nada que pudesse atrapalhar essa súbita aproximação dela. Resolveu sondá-la um pouco mais.
_Mas há muitos relatos de pessoas que dizem sentir isso em lugares que nunca estiveram antes. Nada que poderíamos julgar como desequilíbrio emocional.
_Amanda nunca foi assim – pareceu não ouvir o comentário e falava como se estivesse apenas pensando em voz alta - Tirando o Bruno que foi um “atestado de insanidade temporária”, ela sempre foi muito mais ajuizada do que eu.
Maurício riu da colocação dela que finalmente o encarou.
_Você ri? E se ela tiver outro surto durante a madrugada? Eu estou com medo de dormir com ela.
Rafaela esperou pela piadinha infame que a convidaria para passar a noite com ele. Mas ela não veio e sentiu uma estranha satisfação, quase não podendo ocultar a mordiscada nos lábios.
_Calma. Vamos esperar – respondeu o médico sem notar a mudança nas feições dela - Talvez não aconteça mais nada de estranho, e vamos chegar à conclusão que tudo isso foi decorrente da interrupção da medicação e falta de uma boa noite de sono.
Ela continuava fitando-o com um olhar de interrogação. As colocações dele não foram suficientes para convencê-la. E ele esforçou-se para não tomá-la em seus braços e beijá-la. Mas isso certamente colocaria um fim em toda e qualquer possibilidade de manter e estreitar aquele laço que se formava entre os dois. Conhecia Rafaela e seu gênio inquieto e indomável para saber que não o perdoaria se avançasse o sinal sem o seu consentimento. Era hora de deixá-la antes que cometesse uma grande besteira.
_Vou me deitar. Amanhã quero aproveitar bem o dia que segunda eu volto ao batente. Mas se precisar de alguma coisa, pode me chamar.
_Mas já? – ela pareceu frustrar-se, o que o deixou intimamente feliz.
_O dia foi longo. Amanhã pretendo viajar antes de anoitecer.
_Vai ficar muito cansado para trabalhar na segunda. Posso falar com meu pai e você...
_Obrigado, mas não precisa – a interrompeu antes que se arrependesse de não beijá-la - Sabia que seria um pé lá outro cá. Prometi a sua tia que estaria na clínica segunda, bem cedo. Compromisso é compromisso. Assim que puder, eu volto.
_No próximo sábado? – Rafaela sentiu que estava parecendo muito interessada, mas não podia perder o único que poderia ajudá-la com Amanda, o único que, durante as crises, ela parecia ouvir.  
_Talvez.
_Você tem razão. Melhor ir dormir. Boa noite!
Rafaela deixou a varanda o mais rápido que pode, sentindo-se uma tola oferecida. Maurício era só alegria. Não importava os motivos dela. Ela o desejava por perto.
Vendo a filha entrar contrariada, Marise percebeu que era hora de dar um pouco de atenção ao seu convidado, que certamente acabava de ser maltratado pelo gênio difícil da filha. Um tanto sem graça, tentou puxar conversa:
_Então, Maurício, o que achou do lugar?
_Lindo D. Marise! Fazenda de novela – disse se debruçando no peitoral, tentando ver o que a escuridão da noite ocultava - Tanto ar puro, animais. E esse silêncio? Chega a me deixar zonzo!
_É. Pra quem gosta... – deixou escapar sua insatisfação.
_A senhora não gostou?
_Para fins de semana. Não para me enterrar viva aqui para o resto de meus dias.
_Pelo pouco que conheço do Dr. Carlos, também não creio que ele se adapte. Ele está encantado, mas não vai vir morar aqui. A senhora pode ficar sossegada.
_Deus te ouça, meu filho.
Depois de dar uma boa encarada no jovem a sua frente, Marise o bombardeou de perguntas a respeito da súbita aproximação da filha com ele, o que deixou o rapaz bastante encabulado. Também não deixou de dizer o quanto ela, o marido e até a cunhada, torciam para que os dois, finalmente, começassem a namorar, falando sem parar, sem deixá-lo sequer responder a maioria das perguntas que fazia.
Já satisfeita com o possível relacionamento que surgia entre os dois, a mãe de Rafaela se despediu e foi para seu quarto onde o marido já a esperava.
Os mais jovens também já tinham se cansado dos jogos. As meninas seguiram para o quarto que dividiam, onde, certamente, fofocariam até altas horas. Júnior e Adriano não resistiram e pararam na porta do quarto delas, se esforçando para ouvir o que diziam entre tantos risinhos abafados. Frustrados com a ineficácia da tentativa resolveram ir dormir.
Maurício continuava na varanda olhando para o céu maravilhado. Nunca tinha visto tantas estrelas. Embora embevecido com o espetáculo da natureza envolta pela escuridão, deixando-se ver apenas os contornos das árvores e morros, a cabeça dele dava mil voltas. Era muita coisa para digerir. O que estaria acontecendo com Amanda? O que aquela simpática senhora escondia? Será que Rafaela tinha baixado a guarda agora com o fim de seu namoro, ou apenas via nele um cúmplice diante do inexplicável comportamento da prima?
Pensou em ir procurar D. Diva e tirar dela tudo que parecia saber. Mas era tarde, ela certamente já teria ido para casa.
Encontrou as chaves do carro no bolso. Foi até lá, reclinou o banco e ligou o som. Ele precisava relaxar e depois tentar dormir.
O cd do Pink Floyd, Division Bells já estava na quinta faixa quando algo chamou sua atenção. Acendeu os faróis para ver o que se movia na escuridão. Desligou o som, pegou uma lanterna no porta luvas e saiu correndo atrás de Amanda que tomava o caminho da antiga senzala.
Quando conseguiu alcançá-la, pode perceber que ela não estava bem. Respiração ofegante, olhos injetados, suor brotando-lhe na testa. Podia ver seu corpo todo tremer. Ela não o respondia. Decidiu então segui-la de perto e ver o que aconteceria.
Apesar da escuridão do caminho ela não vacilava, suas passadas eram rápidas e pareciam deslizar por sobre o chão.
Ela parou diante da mesma pedra que havia se sentado à tarde, e Maurício preferiu manter certa distância. Estava apreensivo, mas havia mais alguma coisa que o deixava inquieto que ele não sabia precisar. Aquela cena inusitada lhe parecia tão familiar.
Sentiu o coração saltar do peito quando a ouviu chamar por Álvaro. Um mal estar tomou conta de seu corpo. Talvez tivesse desmaiado se uma mão não tivesse lhe tocado o ombro e uma voz bondosa não tivesse o acalmado.
_Está tudo bem Dotô. Ocê já foi perdoado. Mais o coração do dotô precisa ouvi isso dele, né?
                    _Ele quem? – balbuciou sem entender.
_Do moço que ocê traiu. Entregou pro sinhozinho. Mas ele sabe que o dotô não fez por mar. Era seu trabaio. Tava só defendendo seu patrão.
Maurício ainda pensou em perguntar o que D. Diva estava dizendo, mas alguma coisa dentro dele fazia muito sentido.
Amanda ainda chamava por Álvaro quando suas feições mudaram. Parecia ter se assustado com algo, e fixou o olhar no estreito caminho acima da cachoeira.
_Álvaro, o que aconteceste? Estais todo sujo, desalinhado – depois de uma breve pausa ela gritou:
_Sangue?! É sangue que empossa suas roupas?
Um calafrio percorreu a espinha do médico, que estava entre surpreso e assustado com o que via.
Um rapaz de estatura mediana, cabelos negros levemente cacheados, com olhos brilhantes como se fossem feitos de vidro. Tinha a pele tão branca que pareciam reluzir sob a luz tímida da lua nova. Havia sangue escorrendo pelo canto direito da boca. A casaca que usava era um misto de terra, sangue e capim. Caminhava lentamente, curvado para frente, tendo as mãos na altura das costelas, também do lado direito do corpo. Suas botas de canos até os joelhos estavam sujas de lama.
 Teve ímpeto de correr até aquela deprimente figura, atirar-se aos seus pés e lhe implorar por perdão. Mas perdão de que?
Mas nem se quisesse conseguiria deixar aquele lugar. Era como se seus pés estivessem enraizados no chão. Sentia seus músculos retesados, o coração acelerado. O que ainda o mantinha de pé era o abraço maternal que a velha empregada lhe dava, sustentando-lhe.
Novamente seu corpo foi estremecido por outro calafrio assim que Álvaro começou a falar.
_Não se assuste, minha querida. Eu ficarei bem.
_Estais ferido! Preciso levá-lo daqui.
_Não! – esquivou-se evitando que ela o tocasse – sente-se.
Amanda obedeceu como uma criança, sentando-se na pedra próxima, sem fazer objeções.
O silêncio tomou aquela pequena clareira enquanto ele contraia os músculos da face evidenciando a dor que sentia. Parecia que até o rio diminuíra sua vazão para não quebrar o encanto daquele reencontro.
_Tive tanto medo de não mais vê-la, Leonora! – seu olhar era tão terno que momentaneamente parecia mais humano – tanto tempo aqui a te esperar! Estás diferente, ainda mais bela.
 Outra onda de dor o calou.
_Por que não me esperou? Não cumpriste sua promessa. Eu estou aqui esperando por ti há muito tempo e nunca que chegavas. Disseram-me que colocaste fim a própria vida. Que não viria. Mas eu não pude acreditar!
Álvaro parecia inconformado. Balançava a cabeça enquanto falava entre um espasmo de dor e outro.
_Perdão, meu amado! – Amanda ou Leonora como ela a chamou, desatou a chorar ajoelhando-se aos pés dele.
_Não podia viver sem ti, presa naquele quarto como uma escrava na senzala! Eu estava desesperada, pois imaginei que partira sem mim. Não suportei viver nem mais um dia com aquele homem. A morte pareceu-me menos cruel.
Com muito esforço, Álvaro conseguiu levantá-la do chão e rendendo aos seus impulsos, a saudade, ao amor guardado por mais de um século, abraçou-a fortemente, esquecendo-se da dor e do ferimento que sangrava sem parar. Leonora chorando muito continuou a contar-lhe sua tragédia.
_Envenenei meu corpo na esperança de me libertar de tamanha dor longe de ti. Pequei contra Deus, contra ti, contra meu marido. Nunca tive a paz que esperava na morte, pois minha consciência gritava todos os meus pecados. Estive em um lugar horrível, fui ao inferno!
Álvaro naquele momento teve a certeza de que o que lhe disseram aqueles homens mal encarados, que vez ou outra vinham lhe atormentar, era verdade: ele estava morto, era uma assombração como eles o chamavam. Leonora realmente havia se suicidado. E ele estava ali há tempo demais. Por que tivera de ser tão teimoso não seguindo aqueles que sempre lhe ofereciam ajuda? Entretanto, sua espera havia acabado. Ela estava ali com ele outra vez.
_Não chores, Leonora. Tudo isso vai acabar. Estamos juntos novamente. Deus teve piedade de mim, trazendo-a de volta. Também pequei contra Teus ensinamentos, desejando algo que não me pertencia. Arruinei a tua vida, a minha. Mas o Senhor nos perdoou, minha querida. A prova disso é que Ele permitiu nos reencontrarmos.
E levantando o rosto dela, concluiu:
_Eu teria enlouquecido ouvindo, sem trégua, o som do projétil dilacerando minha carne, o sangue a esvair-se. Quando sentia que a morte me espreitava, era a esperança de que virias que me mantinha vivo, eu ganhava forças para me arrastar até aqui e ver se finalmente tinhas chegado. Nunca quis aceitar que foste capaz de me abandonar. Por esse motivo permaneci a sua espera. Mas preciso saber se seu amor é tão verdadeiro quanto o meu. Que nada foi em vão.
_Eu o amarei para todo sempre! – respondeu num fio de voz por entre os soluços.
O casal permaneceu em silêncio, abraçados junto ao rio envolvidos pela alegria do reencontro, até que D. Diva tomou a iniciativa de se aproximar, trazendo Maurício, que tentava deter suas lágrimas sem nenhum sucesso.
_Meus fios – ela disse despertando os dois de um sonho – o Senhor me dexô viver até hoje pra ver ocês dois juntos de novo. Louvado Seja Deus! – levantou as mãos para o alto em um sincero agradecimento.
_Mas a história docês não terminou ainda. Ocê, sinhozinho Árvaru, precisa deixá esse mundo. Não pertence mais a ele. Tem que ir se tratar. Seguir seu caminho enquanto a sinhá baronesa tem que cumprir o prometido cuidando dus duenti, pra apagá a farta do cometido contra Deus. É verdade que Deus perdoou ocês. Ele sempre perdoa seus fios. Mas tem que corrigi os erros, pra podê ficá junto traveis.
Os dois jovens ouviam àquela senhora falar com silêncio e reverência diante da autoridade de um espírito evoluído. Aquele invólucro carcomido pelos anos de trabalho árduo, aquela fala simples não eram capaz de ocultar toda a grandeza daquele ser.
_Ocê lembra desse moço aqui, sinhô Árvaru? – disse apontando para Maurício que gelou ao ver os olhos dele cruzarem com os seus.
_Jardel – ele respondeu como se finalmente tivesse se dado conta da presença dele – o capataz do Barão.
_Pois intão, ele quer muito pedir perdão por ter contado pru barão o pranu de fugí docês dois. Eu sei que o seu coração é baum, sinhozinho. Já deve inté ter perdoado ele.
_Não lhe guardo mágoas, Jardel – disse antes que o outro pudesse articular alguma palavra - sua lealdade ao Barão é louvável. Eu sou o único culpado pelos meus sofrimentos. O Barão de Taguariúna me tinha como amigo confiava em mim, e eu o traí. Não sei se posso ser culpado pelo amor que sinto por Leonora, mas certamente sou culpado por desgraçar-lhe a vida. Levei muito tempo para compreender e não mais me revoltar.
_Reconhecê que errô é o primeiro passo – disse D. Diva abraçando-o, enquanto Maurício, de joelhos, não parava de chorar – agora o sinhozinho tem que ir. Olha só quem é que veio buscá o sinhô!
Uma luz surgiu no meio da clareira onde Maurício com os olhos marejados, só conseguiu ver vultos no meio de tanta claridade.
_Mãe? – Álvaro deixou-se cair no colo da senhora imponente, trajada como no século XIX, enquanto outras figuras de luz os cercavam.
Amanda e Maurício também foram amparados, tendo cada um, dois seres luminosos a impor-lhes as mãos sobre as cabeças lhe passando energias, na forma de raios de luz multicor, afim de que se recuperassem de tamanha carga emocional.
_Meu querido Álvaro – disse a senhora – o Senhor Todo Amor e Perdão permitiu-me vir buscá-lo. Ficaremos juntos daqui por diante. Cuidaremos de seus ferimentos, de suas dores físicas e morais. Tudo ficará bem agora.
_Mas e Leonora, minha mãe? Agora que a reencontrei não quero deixá-la. Já esperamos demais!
_Estará junto a ela quando estiver em condições de auxiliá-la em sua tarefa, isso eu lhe prometo.
Álvaro deixou os braços da mãe e se aproximou de Amanda que parecia dormir sob os eflúvios coloridos que partiam das mãos daqueles seres imateriais sobre sua cabeça.
_Leonora, meu amor – disse alisando-lhes os cabelos enquanto ela reabria os olhos com um sorriso nos lábios – eu preciso ir, não suporto mais essas dores, esse som a enlouquecer-me. Mas voltarei logo, e ninguém, nada vai nos separar novamente. Eu prometo.
Sentindo uma paz que jamais tinha experimentado antes, Amanda se levantou e o abraçou longamente. Precisava reter o máximo aquela sensação de bem estar, de plenitude que os braços dele lhe proporcionavam.
_Acredito em ti, meu amado. E estarei lhe esperando. Vá, e não esqueça que eu o amo.
Álvaro se desvencilhou dos braços dela e antes de caminhar em direção a mãe e a luz que o esperava, voltou-se para Maurício:
_Cuide de minha Leonora, meu amigo. Irei em paz sabendo que ela estará em mãos tão leais.
_Não se preocupe – disse o médico já refeito de tanta emoção – estarei sempre por perto e cuidarei dela. Vá em paz!
Ele ainda cumprimentou carinhosamente, D. Diva que por tantos anos havia rezado por sua alma lhe dando conforto, mesmo em uma época que ele ainda não era capaz de compreender.
Aceitou a mão que sua mãe lhe oferecia e desapareceu na escuridão junto com a luz que emanava daqueles cinco espíritos que vieram em seu socorro.


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