Dívidas do Passado - 2ª parte
O caminho que levava até a sede era ladeado por altas palmeiras imperiais e levemente inclinado. Podia-se ver dezenas de vacas holandesas, de que o tio Carlos falava tanto, pastando as margens da estradinha. Era a primeira vez que sua família vinha à sua mais nova aquisição. Aquelas terras eram a realização do sonho de sua vida. Uma fazenda onde passar sua velhice. Sua esposa não gostava muito da idéia de um dia terem que se mudar para o interior, passarem a viver no meio do mato, mas o marido insistia que ela se apaixonaria pelo lugar assim que o visse. Havia empregado grande parte de seu dinheiro naquela terra, mesmo contra vontade da irmã, sua sócia na clínica, que afirmava que era hora de ampliarem, contratarem mais profissionais e adquirirem novos equipamentos.
À medida que o carro subia, um quadro deslumbrante se formava diante dos olhos. Um gramado impecável, salpicado por pequenas árvores, estendia-se diante da enorme construção. Uma grande escadaria de pedra levava até a varanda que circundava toda a casa de paredes brancas e compridas janelas de venezianas azuis. A porta principal se abria em duas partes convidando a voltarem no tempo das sinhazinhas e escravos. Os morros, que fazia fundo para tal pintura, pareciam brigadeiros verdes, granulados de pés de café.
Mal o carro estacionou sobre a laje de pedras em frente à escadaria, um senhor a cavalo apareceu cumprimentando o recémchegado.
_Dotô Carlos! Que baum que o sinhô chegô!
_Como vai, Seu Antônio? Tudo certo por aqui?
_Tudo certim como o dotô mandô. Espero que esteja tudo do agrado do dotô. A Diva já tá cum armoço pronto esperando ocês.
Os rapazes desceram do carro na maior festa enquanto uma sensação estranha tomava conta de Amanda. Sentia um aperto no peito, o ar mal lhe chegava aos pulmões. A visão escureceu e ela foi obrigada a se recostar na lataria para não cair. Todos estavam tão eufóricos com a chegada que nem repararam que ela ficou para trás. Somente Maurício, que ficou para fechar as portas do carro que seus caronas não se deram ao trabalho de fazer, que, ao passar por ela, estranhou suas feições pálidas.
_Está se sentindo bem, Amanda? Está tão pálida!
_Estou bem, já passou - E esforçando- se para sorrir e aprumar o corpo, completou:
_Acho que passei tempo demais trancada dentro desse carro. Essa estrada horrível, todo mundo brigando o tempo todo...
Levou a mão à bolsa procurando pelo maço de cigarros. Certamente se sentiria melhor depois de fumar, estava há horas sem dar uma tragada.
_Então por que não aproveita para dar umas boas aspiradas em todo esse ar puro? – Maurício, como um bom médico, reprovava o vício dela – fará mais bem do que esse cigarro.
_Não se preocupe, Mauricio, acho que é disso mesmo que meu corpo sentiu falta: de poluição.
_Com você e com a Drª Leda não adianta argumentar, não é? Tudo bem, envenene-se aí que eu levo suas mochilas para dentro. E depois que se acomodar, quero verificar sua pressão.
_OK, Drº Maurício Peixoto Villela! Agora entendo o porquê minha mãe concordou que eu viesse, mandou você para me espionar.
_Espionar não – ele sorriu apesar de ter sido desmascarado – digamos que para continuar acompanhando sua recuperação. Também não poderia perder a chance de tirar uns dias de folga.
_E ficar perto da Rafaela – Amanda riu ao ver o rosto dele se avermelhar.
_Nada a ver – ele coçou a cabeça, desconcertado – Rafaela tem namorado e eu também tenho alguém.
_Sei... – a moça continuava a se divertir com o embaraço dele – aquela sua tal namorada fantasma que ninguém nunca viu. Se ela realmente existe, por que não a trouxe?
_Ela estuda fora. Não temos nos visto muito.
_Tudo bem Maurício, se você gosta de namoros à distância. Mas só pra constar, eu e minha mãe torcemos por você e Rafaela. E para lhe provar isso, vou lhe contar uma fofoquinha em primeira mão: ela terminou com o Julinho.
Os olhos de Maurício se acenderam, e ele pediu licença e se afastou carregado de mochilas, mas a satisfação daquela notícia nem o deixava perceber todo o peso que carregava. Senti-se leve, com as esperanças renovadas.
A filha de Leda apagou o cigarro sob os sapatos e parou diante da escadaria, novamente algo lhe oprimiu o peito. Respirou fundo, apoiou-se no corrimão de ferro e venceu os degraus.
Tudo dentro daquela sala lhe parecia constrangedoramente familiar. Cruzou o cômodo por entre móveis do sec. XIX procurando não deter os olhos em nenhum deles. A impressão que tinha que a qualquer momento uma cadeira ou uma mesinha a cumprimentaria.
A cada passo, corredor adentro, mais a sensação de sufocação aumentava. Segurou-se para não gritar por ajuda. Parou diante de uma enorme porta de madeira semi-aberta. Algo a puxava para dentro do cômodo como um imã. Tinha a estranha certeza de que se sentiria segura ali dentro.
Empurrou um pouco mais a porta, com o coração aos pulos e correu os olhos pelo quarto. Uma enorme cama de casal de madeira maciça e dossel com pesadas franjas, que no passado ostentava um imponente veludo carmim, se sobressaía no meio do cômodo. Era a única peça de mobília que não estava coberta por lençóis brancos. Saiu puxando os panos confirmando o que, tinha certeza, estaria por baixo deles. Uma penteadeira com espelhos ovais que se desdobravam, abrindo-se sobre o console de madeira castanha, trabalhada em prata nas laterais, uma banqueta retangular comprida, revestida do mesmo veludo, com pés torneados levando os mesmos detalhes em prata e um baú ricamente decorado no canto oposto. Embora as janelas estivessem fechadas e com as venezianas cerradas, Amanda não precisava de luz para saber o detalhe de cada peça.
Deixou-se cair sobre o canapé ainda encoberto pelo lençol. Mas para que descobri-lo se sabia exatamente como era o veludo brocado? Embora desconfiasse que o vermelho não ostentasse mais tanta intensidade.
A opressão que sentia transformou-se em lágrimas e, já sem forças para reter aquela represa de sentimentos que desconhecia até então, deixou que ela rompesse num choro convulsivo.
_Amanda! – Rafaela entrou no quarto e assustou-se com o estado da prima – o que foi?
E sem conseguir conter o choro, tentou se explicar entre um soluço e outro:
_Estou me sentindo mal.
_Ainda aquelas dores de cabeça?!
_Não... – balbuciou vacilante para depois completar, tentando vencer as lágrimas sem sucesso.
_Ela dói. Mas não é isso. Meu peito dói e me sinto sufocada. Me ajuda!
E jogou-se nos braços da prima que sentara a seu lado.
_Calma Amanda! Isso tudo vai passar. O Bruno não merece todo esse sofrimento.
Rafaela alisava os cabelos da prima e sentia que o choro começava a ceder. Mas aquela altura a porta do quarto já estava repleta de curiosos que ela despachava, gesticulando com a mão para que as deixassem sozinhas.
Maurício, que já tinha presenciado o mal estar da moça minutos atrás, foi o único que permaneceu no quarto mantendo uma respeitosa distancia e silêncio. E se os olhos dele não estivessem grudados em Rafaela, acompanhando cada um de seus movimentos, embevecido com o carinho com que ela amparava a prima, dir-se-ia que era por puro dever profissional.
Assim que restaram só sentidos soluços, Rafaela afastou a moça de seus ombros para podê-la olhá-la de frente:
_Está melhor?
O jovem médico aproveitou para se aproximar já com o estetoscópio em punho. E antes que Amanda pudesse dizer alguma coisa, ele pôs-se a aferir-lhe a pressão arterial.
_Sua pressão não tem nenhuma alteração significativa, Amanda. O que sente?
_Muita dor de cabeça – respondeu secando as lágrimas com a costa da mão – e meu estômago queima como se estivesse em brasas.
_Tomou sua medicação para essas enxaquecas?
_Não. Esqueci com toda essa confusão de viagem. Também não estava sentido mais nada.
_Não pode interromper o tratamento só porque os sintomas desapareceram. Não sem autorização do seu médico. Quero que tome seu remédio. Eu volto logo com uma medicação leve para que descanse. E não deixe esse quarto sem que eu venha lhe dar alta. Entendeu mocinha? – sorriu tirando o aparelho do pescoço.
_Ok, Drº Maurício Peixoto Villela. Serei uma paciente obediente.
_Ouviu o médico – respondeu Rafaela – vou pedir aquela senhora para vir arrumar esse quarto para que possa descansar. Não entendi o porquê ela não fez isso antes. O aqui do lado, onde deixei minhas coisas, estava tudo arrumadinho.
_Não quero ficar aqui sozinha! – segurou o braço da prima antes que ela se afastasse.
A filha de Marise lançou um olhar reprovador ao médico que parou no meio do quarto ao ouvir o pedido de Amanda, como quem dizia: “o que ainda faz aqui? É a mim que ela quer.”
Encabulado, ele acabou por deixar o quarto, dizendo para si mesmo que ela estava certa. Ele deveria providenciar a medicação e deixar as duas sozinhas para que pudessem ter aqueles famosos “papos de mulher”.
_Não quero ficar aqui. Esse quarto me assusta! – confidenciou quando se viu a sós com a prima – não posso ficar com você no seu quarto?
_Deixa de ser boba! Esse quarto é lindo! Olha só essa cama, essa penteadeira! Parece coisa de princesa! Teria ficado nesse aqui se tivesse visto antes. Mas quando tentei abrir a porta ela estava trancada.
_Então fica aqui comigo – suplicou Amanda – já que gostou tanto da cama, ela é grande, cabemos nós duas.
Rafaela mordiscou o lábio como sempre fazia quando satisfazia seus pequenos caprichos.
_Sendo assim. Mas ele precisa de uma limpezinha básica – disse passando os dedos sobre o baú mostrando-lhe o acúmulo de poeira. Certamente fazia muito tempo que ninguém entrava naquele quarto. Não era difícil chegar a essa conclusão ao reparar nas pegadas que se formaram no assoalho de madeira.
_Vou lá na cozinha chamar a tal de Diva para limpar isso tudo aqui. Trazer umas roupas de cama. E um copo de água para você poder tomar seu remédio. Eu não me demoro.
Rafaela ainda deu uma volta pelo quarto, admirada com a imponência daquela mobília. Iria se sentir a Lady Di dormindo ali.
Vendo o interesse da prima, Amanda se encheu de coragem e perguntou:
_Consegue sentir?
_O cheiro de mofo? – brincou adiantando-se para abrir uma das enormes janelas.
_Não - respondeu sem saber como explicar o que sentia – essa sensação estranha de que já esteve aqui. Que já conhecia esse quarto.
Ainda brigando contra o ferrolho emperrado, Rafaela respondeu sem se virar. Não seria derrotada por um pedacinho de ferro.
_Já disse que a porta estava trancada quando passei pelo corredor. Ou estava emperrada igual essa janelinha irritante. O que fez para abrir a porta? Ajuda aqui!
Amanda levantou-se e foi ajudar a prima que começava a suar brigando contra o ferrolho que não se movia. Pediu licença para que ela lhe desse mais espaço, segurou o ferrolho e forçou-o para baixo e para dentro. Ele cedeu e ela finalmente abriu a janela empurrando as venezianas para fora.
O sol inundou o quarto e o vento que soprou com força remexeu os lençóis jogados pelo chão. Amanda não reparou no vento, e passou para a janela seguinte que também abriu sem muito esforço.
_Viu? Não é força, é jeito.
Rafaela não quis dizer nada e admitir a vitória da prima. Fingiu não ouvir e atravessou o quarto até o enorme baú que viu no canto, curiosa. Esse, felizmente não estava trancado, e, com um pouco de força conseguiu abrir. Encantada com o tesouro que descobriu voltou-se para a outra, deslumbrada.
_Olha esse vestido! É ou não é digno de uma princesa? – Rafaela colocava o pesado vestido azul recoberto de rendas que deveria ter tido um tom de lavanda se não estivesse tão amarelado pelo tempo. Tentou colocá-lo contra o corpo, mas o cheiro de mofo que exalava dele a fez desistir.
Ao contrário da prima, Amanda atravessou o quarto de olhos vidrados na peça suspensa no ar e o arrebatou das mãos da outra como quem reavê um tesouro roubado. Acariciou as fitas do peitilho e, segurando-o pelas mangas longas o abraçou.
Só essa atitude impetuosa de Amanda já seria o suficiente para que a prima estranhasse seu comportamento. Entretanto, foi a canção que ela começava a cantarolar baixinho que realmente assustou Rafaela. Amanda realmente não estava nada bem. Parecia uma louca ninando um vestido velho.
Chamou por seu nome várias vezes sem nenhum sucesso. Amanda deu-lhe as costas, abraçada ao vestido até estendê-lo sobre a cama ajeitando os babados que formavam a longa saia.
Sem se virar, Rafaela impediu que Maurício interrompesse aquela cena com a mão assim que sentiu sua presença na porta.
_O que está acontecendo? – o rapaz perguntou baixinho em seu ouvido aspirando o suave perfume que exalava de seus cabelos.
_Como vou saber?! O médico aqui é você! Ela ficou estranha assim depois que eu achei esse vestido no baú. Já a chamei, mas ela parece estar em outro mundo!
Maurício colocou o frasco que trazia com comprimidos nas mãos dela e se aproximou da outra que continuava cantarolando e acariciando o vestido sobre a cama.
_Que vestido bonito – arriscou esperando pela reação da moça que cantarolava feliz, totalmente alheia a todo resto.
_Usei-o ontem no sarau dos Borges Amaral. Ele estava lá. Meu chapéu... – respondeu aleatoriamente.
Rafaela esgueirou os olhos para o baú atrás de si, sem querer perder nenhum segundo daquela cena bizarra. Avistou algo que lhe pareceu um chapéu coberto de tules e rendas azuis, e, num movimento rápido tirou do meio das outras peças e ofereceu a Maurício que continuou conversando calmamente com Amanda que não parava de cantar baixinho.
_Esse é o seu chapéu?
_Quanta gentileza! – ela agradeceu com um leve tombar de cabeça – mas não posso sair sem minhas luvas e sombrinha. E eu preciso ir. Ele está me esperando!
_Ir aonde? Quem está te esperando? – foi Rafaela quem perguntou entre assustada e curiosa. O acidente havia deixado seqüelas. Sua prima estava louca, tendo um surto psicótico.
Amanda ajeitou o chapéu sobre a cabeça e saiu apressada embora tivesse movimentos leves. Seu caminhar dava a impressão de que seus pés mal tocavam o chão.
Rafaela assistiu ela passar por eles sem poder fazer nada. Maurício, com um aceno, pediu que a deixasse ir, e ela concordou lembrando-se da frase que dizia que louco não se contraria.
O médico a seguiu mantendo certa distância. E Rafaela, que por puro instinto, segurava em suas mãos, perguntou baixinho:
_Não é melhor avisar os outros? Ligar para o pai dela? Ele é psiquiatra, deve saber o que fazer com alguém surtado.
_Não é melhor saber o que está acontecendo primeiro antes de alarmar todo mundo? – respondeu deliciando-se com o calor da mão dela nas suas – vamos ver aonde ela vai, o que vai fazer. Vamos estar por perto. Não deixaremos que ela se machuque.
_Não fala como um médico! – ela o repreendeu – um profissional a teria segurado e a medicado.
_Um médico é mais do que um “receitador” de remédios. Ele deve também dar atenção aos seus instintos, e principalmente tentar conhecer e compreender seu paciente.
_Amanda não é sua paciente! – respondeu com desdém mascarando sua raiva com a petulância dele – você não passa de um residente metido. Meu pai vai saber disso!
_Então preste a atenção em tudo para não esquecer nenhum detalhe em seu relatório – e soltou a mão dela apressando-se.
_Não vou compactuar com essa loucura – e ficou parada vendo ele se afastar.
O jovem médico apressou-se a alcançar a moça que já desaparecia no fim do corredor. Mas para seu espanto, ao chegar à sala ela parou e olhou para a parede com uma expressão aterrorizada. Deixou o corpo cair pesadamente sobre os joelhos e desatou a chorar. Sem ter muito que fazer, agachou-se ao lado dela, abraçando-a até sentir que seu corpo pesava e que havia perdido os sentidos.
Já com ela em seus braços, depara-se com uma senhora magra, de cabelos grisalhos por sob o lenço na cabeça a lhe indicar o caminho da cozinha. Ele a seguiu. Estava mais uma vez dando ouvidos aos seus instintos.
A senhora pediu que o rapaz acomodasse a moça desacordada sobre a cadeira e que tentasse mantê-la aprumada. Pegou uma lata com alça perto do fogão a lenha e pôs algumas brasas dentro dela. Sacodiu no ar para depois colocar algumas ervas. Mais brasa, uma assoprada, mais ervas. Logo a cozinha exalava um forte cheiro de alecrim, manjericão e arruda. E se aproximou dando voltas em torno da cadeira sacudindo sua lata enferrujada no ar. Balbuciava algumas palavras que Maurício teve a impressão de ser benzeduras como faziam as antigas escravas e rezadeiras do interior.
Mesmo sem entender, respeitava a crendice daquela mulher. E ficou ainda mais admirado quando Amanda finalmente recobrou os sentidos.
_ A moça deve beber essa água – disse D. Diva lhe oferecendo um copo. E se virando para Maurício continuou:
_Adispois leva ela pra passar uma água no rosto e vorta pra sala de refeição que eu já vô servir o armoçu.
Deu-lhes as costas e voltou a remexer suas enormes panelas de ferro sobre o fogão a lenha, em silêncio.
Amanda levantou-se, agradeceu a água e como se nada tivesse acontecido, deixou a cozinha em direção a sala ao lado onde já se ouvia a algazarra dos garotos a espera da refeição. Maurício atônito, não conseguiu se mexer intrigado com tudo que presenciara.
Vendo que a senhora começava a arrumava a comida em grandes travessas de louça, indiferente a presença dele, arriscou:
_Não pode me explicar o que está acontecendo?
_Nada o que a gente possa evitá, moço – respondeu encarando-o com doces olhos amarelados e um sorriso brotando no canto da boca murcha – é a roda da vida girando. Corrigindo, ensinando. Se o moço quer ajudar sua amiga, reza por ela. E por todos us que tão sofrendo há muito tempo presos nessas terra.
Ele finalmente deixou o lugar atrás da cadeira e se aproximou da velha negra. Tinha muita coisa a perguntar, mas ela se adiantou:
_Num precisa perguntá o que o moço já nasceu sabendo.
_Eu sou médico, minha senhora. E não há nada parecido com o que vi hoje nos livros que estudei.
_Mas tem nus livro da vida, das vidas que o dotô já viveu.
_A senhora está falando de vidas passadas? Espiritismo? Essas coisas? Eu não entendo desses assuntos, embora admita que me fascine.
_Então espere, dotô. Tudo tem sua hora. Já esperaram tanto tempo pra vortarem pra essas terras, o que vai ser mais alguns dias, né? – D. Diva pegou uma travessa de arroz e já estava deixando a cozinha quando Maurício a deteve com mais uma pergunta:
_Posso voltar aqui mais tarde para conversarmos? Eu gostaria muito que a senhora me contasse tudo o que sabe.
_O Dotô sabe muito mais que essa nega véia. Não deixa a moça sozinha que o dotô vai entender tudim. E se presisá, vorta aqui na cozinha prum dedim de prosa, um café.
_Eu vou voltar, D. Diva. Pode deixar que eu vou voltar.
# continua na próxima semana #



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